Steve Beckman.
Eu te avisei e foi justamente o que aconteceu. Você não me deu ouvidos, fez com que minhas palavras atravessassem seus ouvidos como um flash quase imperceptível. Não foi em vão aquilo que sempre persisti em cobrar de você. Eu bem que te avisei! (…)
Ah, como foi bom aquele tempo. (…) Aquela vida que eu queria ter até hoje, mesmo não me arrependendo de ter saído daquela rotina. Uma hora ou outra acabaríamos nos perdendo. (…)
Eu te avisei que ia me perder, que estava ficando tarde, que temos que fazer escolhas precipitadas, e que no mundo não se ama para sempre as mesmas pessoas. Eu avisei que aquele tempero da comida não ia durar muito, que as coisas se desgastam com o tempo e que os cômodos da casa precisam ser renovados, os objetos ficam obsoletos a cada segundo. (…)
Mostrei que quando as pessoas se apegam umas às outras, elas sofrem demasiadamente com sua perda. É, a vida é dura.
Aquelas circunstâncias, que nos tiram as coisas que mais gostamos de ter ao lado, estão sempre nos rondando e, uma vez ou outra, abrem brecha para que um feixe de felicidade possa entrar em nossa vida; e esperamos que este dure por muito tempo, esperamos que aquela brecha emissora de luz não ofusque, não tente fugir entre os dedos.
Eu avisei que os amigos são apenas folhas; podem ser passageiras, demorar um pouco em nosso galho ou podem permanecer por um grande período, mas, em um certo momento, aquela folha secará e cairá em cima das nossas raízes e não poderemos fazer absolutamente nada. (…)
Eu avisei que nossas flores estavam prestes a murchar, que nossos caminhos andavam íngremes demais para que pudéssemos caminhar, que nossas riquezas não estavam sendo suficientes e que nosso orgulho esvaecia aos poucos. Eu avisei que era bom ser feliz, que era bom estar ao meu lado. Ensinei-te a driblar obstáculos, a correr atrás dos sonhos e buscar o melhor para o espírito. Escutastes-me? Acho que não!
Só espero que nunca se arrependa pelo que você não conseguiu fazer para manter-me em tua jaula; eu até gostava, confesso! Era um privilégio tê-la como guardiã e dona dos meus mais sinceros votos de confiança, amor e respeito. Pena que me iludias tão bem que acabastes tapando teus ouvidos para meus conselhos e sendo a receptora das consequências de tuas próprias ilusões.
— Matthews Rocha.
Hilda Hilst.
A verdade sempre aparece. É uma das regras fundamentais do tempo. E quando ela aparece, tem o poder de libertar você. Ou destruir aquilo que você lutou tanto para construir.
— G.G.
Hermann Hesse.
H. Jackson Brown Jr.
Às vezes, para manter a paz que hoje mora em teu peito, é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio. Lembra-te de usar o silêncio quando ouvir palavras infelizes. Quando alguém está irritado. Quando a maledicência te procura. Quando a ofensa te golpeia. Quando alguém se encoleriza. Quando a crítica te fere. Quando escutas uma calúnia. Quando a ignorância te acusa. Quando o orgulho te humilha. Quando a vaidade te provoca. O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz.
— Chico Xavier.
A civilização está em crise. O homem desequilibrou a natureza. A natureza está reagindo. A arte, como produto do homem, está em crise também. Acho que o homem não vai se destruir, não: vai reencontrar suas origens. Hoje, toda arte é de transição. E sua função — da literatura — é alertar contra o perigo. Não um perigo específico, está entendendo? Mas o perigo de destruição do humano no homem.
— Caio Fernando Abreu.
Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você.
— Caio Fernando Abreu.
Caio Fernando Abreu.
Caio Fernando Abreu.
E acabava assim, de repente, ainda que não fosse absolutamente perfeito, mas antes disso, sem efeitos, secamente, acabava assim, era uma pena, todos sentimos muitíssimo, mas que se há de fazer se acaba mesmo assim?
— Caio Fernando Abreu.
Caio Fernando Abreu.
Eu nascia por dentro, quase gritava, tentávamos desvendar um ao outro mas não íamos além da tentativa, que já se fazia angústia. Não, não era amor, não foi amor. Tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. Nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais. Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida — e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? Eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror.
— Caio Fernando Abreu.
Quase não suportando a si mesmo de tanto amor represado, mas ninguém percebia que a sua raiva era um amor muito bem disfarçado, para que ninguém risse, para que ninguém o olhasse surpreso com a grandeza de seu coração.
— Caio Fernando Abreu.
Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até...
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
(Augusto dos Anjos)
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.
(Paulo Leminski)
This is so powerful. Pressures of acceptance and beauty.